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domingo, 24 de julho de 2011

Autoeficiência energética

Autoeficiência energética

22 de julho de 2011 - Fonte: Agenda Sustentável


Localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo, o conjunto de escritórios Rochaverá conseguiu a autoeficiência energética com um sistema próprio de cogeração de energia elétrica. O sistema foi projetado para atender 100% da demanda interna de refrigeração e climatização das quatro torres do complexo de forma ininterrupta. sendo que 3 estão ativas e 1 será entregue em dezembro.

No processo de cogeração, o usuário pode gerar sua própria energia e alternar o uso com a concessionária elétrica. No entanto, essa tecnologia depende de um alto aporte inicial. O grupo Rochaverá investiu aproximadamente R$ 28 milhões para a implementação do sistema.

sábado, 18 de junho de 2011

6 pecados ambientais da sacola plástica

Fonte: Planeta Sustentável - Ambiente - 10/01/2010

praga moderna
6 pecados ambientais da sacola plástica
Saiba porque as polêmicas sacolinhas plásticas distribuídas aos montes por supermercados e centros comerciais em todo o mundo são um perigo ambulante para o meio ambiente

Vanessa Barbosa
Exame.com - 14/06/2011

1. UM PROBLEMÃO QUE LEVA ATÉ 400 ANOS PARA DESAPARECER
É isso mesmo, sacos e sacolas plásticas podem demorar até quatro séculos para se decompor, dependendo da exposição à luz ultravioleta e outros fatores. Trata-se de um período oitocentas vezes maior que o necessário para pôr um fim em materiais como papel ou papelão. Ao contrário do que acontece com o lixo orgânico, que leva entre 2 meses e um ano para "sumir" - sendo decomposto por minhocas, fungos e bactérias - a natureza simplesmente não sabe como se livrar dos plásticos.

Introduzidos na década de 1970, os sacos plásticos são relativamente novos no universo e por isso, segundo cientistas, ainda não há um micoorganismo capaz de decompor no curto prazo esse material, dono de cadeias moleculares quase inquebráveis. Resumo da ópera: apesar de práticas para o homem, as sacolinhas de polietileno feitas a partir de combustível fóssil são um péssimo negócio para a natureza.

2. SOBRECARREGAM ATERROS, REDUZINDO SUA VIDA ÚTIL
Por ano, são produzidos em todo o mundo pelo menos 500 bilhões de unidades de saco plástico, o que equivale a 1,4 bilhão a cada dia ou 1 milhão por minuto. Imagine agora todo esse grande volume de sacolas indo parar nos aterros e lixões a céu aberto. A cena é no mínimo pavorosa, não? No Brasil, os sacos plásticos já representam 10% de todo lixo nacional.

Quando descartados de forma inadequada, eles comprometem a capacidade do aterro, reduzindo sua vida útil e deixando o terreno impermeável e instável para o processo de biodegradação de materiais orgânicos. Pra não falar do tempo quase infinito que levam para desaparecer. Com o excesso de sacolas plásticas, os municípios são obrigados a ampliar seus aterros sanitários.

3. CONTRIBUEM PARA INUNDAÇÕES NOS GRANDES CENTROS URBANOS
Em épocas de chuva, as sacolas mostram as consequências do descarte incorreto, entupindo bueiros nos grandes centros urbanos. Distribuídas a torto e a direito por farmácias, padarias, lojas e principalmente mercados, elas fazem um verdadeiro estrago. Leves e finas, as sacolinhas são varridas pelo vento e pela chuva para os bueiros, prejudicando o escoamento de água, o que contribui para ocorrência de enchentes.

Claro que elas não são as únicas culpadas pelas enchentes e inundações das cidades, mas contribuem muito para agravar o quadro de impermeabilização urbana. Além disso, bueiros entupidos por plásticos tornam-se o ambiente ideal para a reprodução de insetos transmissores de doenças, como mosquitos da dengue.

4. FORMAM ILHAS DE LIXO PLÁSTICO NOS OCEANOS
Nem os oceanos escapam da "plastificação" em massa. Os resíduos plásticos dos aterros urbanos são carregados por enxurradas para o mar ou despejados diretamente nos rios pela população. E eles viajam milhares de quilômetros, sendo encontrados em ilhas e regiões marítimas remotas, bem longe da presença humana. Para se ter uma ideia, uma imensa área entre o litoral da Califórnia e o Havaí ganhou o nome de Lixão de Pacífico. Trata-se uma faixa formada por resíduos com extensão aproximada de 1,6 mil quilômetros que fica à deriva no mar.

Outro exemplo assustador da "plastificação" oceânica pode ser encontrado entre o Rio de Janeiro e a ilha de Ascensão, uma possessão britânica que fica no meio do Oceano Atlântico, no sentido de Angola, no Continente Africano. Uma expedição do projeto 5 Gyres, que avalia a poluição dos oceanos por resíduos plásticos em todo o mundo, encontrou fragmentos plásticos ao longo de todo o percurso de 3,5 mil km entre o Rio e a ilha, como se formassem uma linha fina e ininterrupta de lixo.

5. MATAM MILHARES DE ANIMAIS POR ASFIXIA E INGESTÃO
A poluição dos oceanos por resíduos plásticos têm consequências catastróficas para a vida nesse ecossistema. Muitos animais podem morrer por asfixia ou ingestão de fragmentos. Entre as principais vítimas estão tartarugas marinhas, peixes e aves como o albatroz.

Estimativas do Programa de Meio Ambienta da ONU (UNEP) apontam que anualmente o plástico é responsável pela morte de pelo menos um milhão de animais marinhos. Pelo volume no estômago, o animal que ingere o plástico acha que não precisa se alimentar e acaba morrendo por inanição, isso se não for asfixiado antes. Pior, quando o corpo do animal se decompõe, o plástico ingerido é liberado novamente no meio ambiente.

6. LIBERAM SUBSTÂNCIAS TÓXICAS AO SE DECOMPOR
A decomposição de sacos plásticos na natureza, ainda que demorada, libera substâncias químicas que contaminam o meio ambiente. No mar, esse processo é acelerado devido à exposição do resíduo ao sol e à água. Segundo estudos da Universidade de Nihon, no Japão, quando o plástico se decompõe no mar, libera bisfenol-A (BPA) e oligômero (PS), substâncias químicas tóxicas que podem afetar a reprodução, o crescimento e o desenvolvimento de animais marinhos. Os males do saco plástico não terminam aí. A tinta usada para impressão colorida possui cádmio, um metal pesado altamente tóxico nocivo ao meio ambiente e à saúde dos animais.

domingo, 5 de junho de 2011

Veja onde descartar objetos obsoletos, como celulares e lâmpadas

05/06/2011 - 07h00
Veja onde descartar objetos obsoletos, como celulares e lâmpadas
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ROSANA FARIA DE FREITAS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

De um ano para o outro, o seu computador fica obsoleto. O celular passa de item cobiçado a peça pré-histórica em questão de meses. Imagine se esses produtos, e mais baterias de carro, exames de raio-X e lâmpadas fluorescentes fossem dispensados como entulho comum.

Veja o especial Dia Mundial do Meio Ambiente
Veja imagens de depósito de pneus

Marlene Bergamo/Folhapress

Depósito da Utep em Guarulhos (Grande SP), onde pneus são triturados e reciclados para servir de matéria-prima para asfalto, mangueiras e sapatos

As baterias de carro contêm chumbo, que gera problemas ao sistema nervoso, enfraquece os ossos, causa anemia. Essas substâncias tóxicas podem se instalar em seu corpo de forma simples: uma vez despejadas no solo, têm suas matérias-primas decompostas, são ingeridas por vermes e minhocas e, em contato com o lençol freático, entram na cadeia alimentar por meio das plantas. Como você é o último componente desse ciclo, consome as substâncias absorvidas ao longo do processo.

As lâmpadas fluorescentes contêm vidro e metal, e são compostas por fósforo e mercúrio. O fósforo favorece o surgimento de câncer e provoca lesões nos rins e no fígado; o mercúrio, se inalado, pode causar dor de cabeça, febre, fraqueza muscular. A esses "poluidores" se unem outros, como computador e pneu, todos com componentes tóxicos na composição.

O Brasil é o país que mais descarta computadores pessoais per capita --0,5 kg por habitante--, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Na China é de 0,2 kg por pessoa.

O número dessas máquinas vendidas no país sobe 15% a 20% ao ano: em 2010, atingiu 13,3 milhões, de acordo com a consultoria IT Data.

No mundo todo, são geradas 40 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos anualmente, sendo que apenas 10% passam por reciclagem de forma apropriada.

O trabalho de desmontagem e o reaproveitamento é pouco conhecido por aqui, segundo o Cedir (Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática da USP).

REAPROVEITAMENTO

Para entender a importância de dar destino certo ao velho aparelho de TV ou ao computador, é preciso se dar conta de que quase 50% dos eletroeletrônicos é composto de plástico e ferro, insumos largamente aproveitáveis. O chumbo volta à ativa como matéria-prima. O vidro das telas gera cerâmica vitrificada, empregada em pisos.

Grande parte do asfalto vem dos pneus que são dispensados adequadamente. Embora a valorização energética --em caldeiras de indústrias, por exemplo-- seja o principal destino, boa parte deles é utilizada para fazer asfalto ecológico, piso de quadras poliesportivas e artefatos de borracha, como tapetes e sapatos.

Segundo a Reciclanip, entidade responsável pela coleta de pneus e ligada à Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), em 2010 o Brasil reciclou mais de 300 mil toneladas de pneus, equivalente a quase 62 milhões de unidades de carros.

ONDE DESCARTAR

Jogar o lixo no lugar certo ajuda a sustentabilidade do planeta porque significa economia e aproveitamento de matéria-prima. Por isso, alguns países fazem recomendações oficiais para o descarte correto do produto.

No Brasil, uma iniciativa desse tipo seria de grande valia, porque só em São Paulo o volume mensal de compra de óleo é de mais de 20 milhões de litros, segundo pesquisa da Nielsen. Aqui, algumas empresas e hospitais fazem a coleta daquilo que já não serve mais para você.

Editoria de Arte/Folhapress

domingo, 15 de maio de 2011

Alguém quis um Amigo!

Semana passada o cão que havia sido amarrado e deixado na frente de uma casa, no bairro do Morumbi, finalmente achou um lar! Ele foi adotado. Não sabemos exatamente qual mídia ajudou esse "amigão", mas temos a certeza de seguir contribuindo para que surja um mundo bem melhor e que a boa vontade prevaleça sobre o resto! Boa semana!

sábado, 30 de abril de 2011

Quer um amigo? Divulguem por favor!

Uma amiga passou uma mensagem para avisar de um cão, que foi covardemente abandonado no bairro do Morumbi, e deve estar lá até agora!
A localização é a Rua Éden, 300, cep 05619-000, na Vila Sonia/ Morumbi. Ele está amarrado, na frente do portão dessa casa desde quarta-feira, dia 27/4!
Estamos buscando um local para ele e alguém que realmente se importe e vá cuidar bem desse cachorro.
Tem entre 6 meses e 1 ano (fácil de educar), é manso e muito brincalhão.
Se você souber de alguém, será ótimo!
Divulgue essa mensagem!
Vamos achar um lar para esse cachorro e ler consciência por onde passarmos!

O link para as fotos, no Picasa, é:
https://picasaweb.google.com/106906807170028252986/OBlogDaCau?authkey=Gv1sRgCOj6-snQoJ_EgQE&feat=directlink

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Robert Dudley: "Foi uma sucessão de erros"

Desastre no golfo


Robert Dudley: "Foi uma sucessão de erros"

O CEO que assumiu a BP depois do maior vazamento de óleo da história americana admite falhas da empresa e diz que o caso levará a atividade a se tornar mais segura

Malu Gaspar e Renata Betti - Revista Veja – 09/02/2011

Desde que assumiu o comando da petrolífera inglesa BP, há três meses, o engenheiro americano Robert Dudley, de 54 anos, está incumbido da missão de reerguer os negócios e a reputação da multinacional - fortemente abalados pelo acidente no Golfo do México, em abril passado, quando uma plataforma de exploração deixou vazar mais de 800 milhões de litros de óleo no mar. Onze pessoas morreram e milhares de outras, que moram e trabalham naquela parte da costa americana, sofreram grandes prejuízos.

Na semana passada, a companhia foi alvo de novos protestos por parte dos cidadãos atingidos pelo vazamento. Eles estão indignados com o anúncio de que a companhia retomaria o pagamento de dividendos aos acionistas. Afirmam que deveriam ter prioridade e receber logo as indenizações que lhes são devidas. Na entrevista a VEJA, em que falou também sobre o etanol e o pré-sal brasileiros, Dudley se posiciona abertamente sobre o acidente: "Sei que de nada adianta repetir que somos uma empresa segura - temos de demonstrar isso na prática".

Empresários e moradores da região atingida pelo vazamento no Golfo do México estão descontentes com a demora no pagamento das indenizações. A BP vai pagar a todos?

É natural que haja gente insatisfeita num processo como esse. Estamos falando de tantas indenizações que podem chegar a 20 bilhões de dólares. Dada a complexidade da operação, depositamos esse dinheiro num fundo administrado por um executivo independente da empresa, indicado pela Casa Branca, que está ditando a ordem e o ritmo dos pagamentos. Trata-se de uma questão de tempo: a intenção é pagar a todos os prejudicados.

Quais foram, afinal de contas, as causas do acidente?

Um grupo de sessenta consultores externos produziu um relatório bastante objetivo acerca do episódio. A equipe concluiu que o desastre não foi provocado por uma única razão, e sim por uma sequência de falhas mecânicas e de problemas na engenharia da plataforma. A isso, aliaram-se maus julgamentos humanos e ainda atritos entre os funcionários das diversas companhias envolvidas na operação. Foi justamente a soma de todos esses fatores que criou o cenário para o acidente - e fez com que ele adquirisse tamanha gravidade.

O senhor poderia ser mais específico quanto às falhas?

A primeira ocorreu quando os técnicos da plataforma não souberam interpretar os testes de pressão que sinalizavam a existência de um vazamento no fundo do poço. Um erro fatal. Eles continuaram a trabalhar como se nada houvesse. Em seguida, foi o equipamento que deveria acionar o dispositivo de prevenção a explosões que não funcionou. A plataforma começou, então, a se mover. Numa situação assim, esperava-se que o sistema fechasse o buraco automaticamente, para impedir novos vazamentos. Isso também não ocorreu. A próxima etapa deveria ter sido o envio de robôs ao fundo do mar. Tentamos fazer isso, mas, novamente, não deu certo.

Não é estranho que nenhuma dessas iniciativas tenha funcionado?
Realmente não sei por que nada deu certo naquele dia.

Uma reportagem recente publicada pelo jornal The New York Times sugere que os equipamentos utilizados apresentavam problemas de manutenção e que os funcionários ainda estavam despreparados para emergências de grande porte...

O relatório técnico deixa claro que os defeitos no maquinário, que apareceram durante o acidente, não foram causados por falhas de manutenção. Quanto aos funcionários, de fato houve certa hesitação no início, mas há que considerar que a situação era extremamente atípica. A verdade é que, quando se está no olho do furacão, críticas, muitas delas infundadas, são inevitáveis. No auge da crise, alguns de nossos concorrentes vieram a público dizer que o acidente nunca teria acontecido caso eles estivessem à frente da operação, ou que teriam reagido de forma diferente numa situação dessas - afirmações precipitadas e equivocadas.

Como o senhor rebate as críticas?

Como nunca houve um desastre com características semelhantes, era impossível para qualquer um saber de forma exata o que deveria ser feito. Por isso, mesmo com 48 000 pessoas trabalhando dia e noite, estancar o vazamento consumiu três meses. Tivemos de desenvolver tecnologias e equipamentos totalmente novos - como a válvula que tampa o poço ao mesmo tempo em que desvia o fluxo do óleo. Ela foi crucial para equacionar o problema. Em circunstâncias normais, levaria dois anos para o dispositivo ficar pronto. Na emergência, executamos o trabalho em 87 dias.

Que lições a BP extraiu da tragédia?

O acidente mostrou quanto precisamos ainda avançar em nossas políticas de prevenção de acidentes. O desastre estabeleceu um novo marco para toda a indústria de petróleo. Forjou-se um consenso em torno da ideia de que, na exploração em alto-mar, o risco maior não está no fato de extrairmos óleo de águas cada vez mais profundas, mas em nossos próprios equipamentos de segurança. Os riscos de um desastre caem drasticamente quando a infraestrutura do fundo do mar é de boa qualidade. A partir de agora, surgirão novos padrões e procedimentos de segurança que certamente tornarão a atividade mais cara - mas, ao mesmo tempo, menos arriscada.

Concretamente, o que a empresa está fazendo para prevenir um novo desastre?

Implantamos um novo departamento, que reunirá os melhores técnicos com a incumbência de fiscalizar e alterar o funcionamento de dezenas de campos de petróleo que a BP opera no mundo, se necessário. O objetivo é redobrar a vigilância. Numa outra frente, vamos reforçar o treinamento dos funcionários para reagir em situações de emergência, e ainda oferecer aos executivos cursos mais completos de gerenciamento de crises. Na minha avaliação, poderíamos ter sido mais efetivos na hora de vir à luz para explicar o desastre. A companhia é de engenheiros, não temos traquejo para falar em público e, reconheço, não estávamos suficientemente preparados para lidar com tamanha repercussão. Mas a verdade é que de nada adianta ficar repetindo que somos uma empresa segura. Precisamos demonstrar isso de fato. Sei que vai levar tempo, mas tenho a convicção de que podemos reconquistar a confiança das pessoas.

O senhor assumiu a presidência da BP depois do acidente. Seu antecessor, Tony Hayward, falhou na condução da crise?

Sinceramente, é difícil dizer o que eu teria feito se estivesse no lugar de Tony. O fato é que, em meio aos ataques vindos de todos os lados, ele acabou se transformando numa espécie de para-raios. A situação ficou tão tensa que Tony decidiu desligar-se da BP, depois de duas décadas na empresa.

Visto de fora, o impacto sobre a BP foi significativo. A companhia perdeu metade do seu valor de mercado e sofreu sério prejuízo de imagem. Internamente, qual o tamanho do estrago?

Nosso pessoal, que sempre teve certo orgulho da companhia, subitamente perdeu a confiança. Era comum me abordarem nos corredores para indagar: "Vamos mesmo fechar esse poço?". Houve quem questionasse, inclusive, se não era o caso de simplesmente suspendermos as atividades de exploração em alto-mar. Eu tinha de repetir diariamente que, sim, nós iríamos tapar o buraco. Também tivemos de vender ativos no Vietnã, no Paquistão, na Venezuela, nos Estados Unidos e no Egito. Arrecadamos 15 bilhões de dólares e ainda pretendemos nos desfazer de mais 10 bilhões para chegar a um valor próximo à dívida acumulada por causa do acidente.

O governo brasileiro modificou o marco regulatório para a exploração do pré-sal, concentrando mais poder nas mãos do estado e da Petrobras. Isso dificulta o investimento privado?

A interferência do governo brasileiro já foi uma barreira num passado mais longínquo, por ser muito exacerbada. As regras estabelecidas a partir de 1998 mudaram a situação radicalmente, ao permitir que outras companhias, além da Petrobras, assumissem a operação de campos de petróleo. Graças à nova legislação, a atividade petrolífera brasileira cresceu imensamente na década passada.

O senhor não teme que o aumento da interferência estatal no pré-sal possa atrapalhar?

O governo estará de fato mais presente, mas ainda vejo um bom equilíbrio. Não creio que o setor privado será sufocado, a ponto de inviabilizar o negócio. A Petrobras, que deterá o controle de todos os campos, possui a tecnologia mais avançada do mundo para exploração em águas profundas. Qualquer companhia estrangeira desejaria tê-la como sócia, principalmente numa área em que o desafio tecnológico é tão complexo. Para efeito de comparação, se me fizessem pergunta idêntica em certos países do Oriente Médio, minha resposta seria totalmente diferente. Ali, a mão do estado é tão pesada que, em alguns casos, se tornou inviável atrair investimentos externos relevantes. Manter uma boa relação com o governo é essencial para uma empresa petrolífera. Sem interlocução adequada, seja no Brasil, seja em qualquer outro país, pulamos fora.

A BP aguarda desde 2009 uma autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para operar os campos comprados da americana Devon no Brasil. O senhor atribui a demora a questionamentos quanto à segurança de suas operações na costa brasileira?

Não acredito nisso. Tanto a Petrobras quanto a ANP enviaram técnicos para observar nosso trabalho no episódio do Golfo do México. A estatal até nos cedeu especialistas em prevenção de explosões e robôs para ajudar a investigar o que se passava no fundo do mar. O time da ANP foi a Houston, no Texas, visitar nosso centro de crises e assistiu às imagens feitas pelas catorze câmeras instaladas no local do vazamento. Tenho certeza de que tudo isso pesará em nosso favor.

O senhor acredita que os combustíveis renováveis vão suplantar o petróleo?

Haverá, obviamente, um momento em que o petróleo se esgotará, e, com essa perspectiva no horizonte, utilizaremos cada vez mais fontes de energia renovável. Só que estamos falando de uma realidade ainda muito, muito distante. Pelo menos até, digamos, 2030, o petróleo continuará abundante - e essencial. Isso porque o setor industrial crescerá em níveis muito acelerados, sobretudo nos países emergentes. Prevê-se que, daqui a vinte anos, a demanda por energia será o dobro da atual. Pode-se esperar, portanto, ainda muita pressão sobre o preço do petróleo.

Quais as perspectivas para o etanol brasileiro nesse cenário?

Acredito que estejamos diante do melhor tipo de energia renovável. O álcool extraído da cana-de-açúcar é mais barato, menos poluente e mais eficiente que o do milho, por exemplo, produzido nos Estados Unidos. O Brasil também tem uma enorme vantagem em relação aos competidores. O clima e o solo são ideais e a cultura da cana não disputa áreas com o cultivo de alimentos, como ocorre no caso americano. Isso já nos chamava atenção antes mesmo do pré-sal. De 1 bilhão de dólares que aplicamos todo ano em pesquisas sobre combustíveis renováveis no mundo, 400 milhões são destinados ao álcool brasileiro. O objetivo é desenvolver etanol celulósico (à base do bagaço da cana-de-açúcar) e, assim, criar um combustível ultrapotente que possa revolucionar o mercado.

“Alguns concorrentes disseram que o acidente nunca teria ocorrido com eles. Pois garanto que ninguém ali saberia de forma exata como proceder”.