Pioneira no País, usina vai produzir energia e recuperar área ameaçada por risco de explosão e deslizamento em São Bernardo do Campo
05 de agosto de 2010 - 0h 00 - Eduardo Reina - O Estado de S.Paulo
A cidade de São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista, terá a primeira usina de incineração de lixo doméstico do Brasil. A estrutura vai ocupar a área do antigo Lixão do Alvarenga, na beira da Represa Billings, e vai gerar 30 megawatts por hora de energia elétrica. Ao lado, será criado um parque e haverá remoção de parte da população que hoje mora em cima do antigo lixão, uma área de risco de explosão e deslizamentos.
A usina terá capacidade para receber 1 mil toneladas de resíduos domésticos por dia. A energia gerada - 30 megawatts/hora - será suficiente para abastecer diariamente uma cidade de 300 mil habitantes. A obra inclui um setor de separação dos resíduos orgânicos e para reciclagem e está orçada em R$ 220 milhões.
Hoje na cidade de São Paulo há duas usinas de geração de energia por meio do lixo, nos aterros Bandeirantes (zona norte) e São João (zona leste). No entanto, esses funcionam com aproveitamento de gás metano gerado pelos resíduos. A novidade é o incinerador de lixo doméstico. Existem apenas usinas para incinerar lixo hospitalar e industrial no País.
"O sistema, além de fazer a queima da parte do lixo que não pode ser aproveitada, tem também o reaproveitamento de todo resíduo possível, até da fração orgânica", explica o professor Elcires Pimenta Freire, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo e coordenador do plano de resíduos sólidos da cidade. O modelo escolhido mescla tecnologias da Alemanha, Holanda e Espanha.
O secretário de Planejamento Urbano de São Bernardo, Alfredo Buso, diz que o edital deve ser lançado em breve. A expectativa do prefeito Luiz Marinho (PT) é que o início da operação seja em 2012. A cidade gasta R$ 14 milhões por ano para descartar 650 toneladas de lixo por dia num aterro sanitário no município de Mauá. Para Buso, os gastos não serão superiores aos de hoje.
Remediação. A área do bairro Alvarenga no limite com Diadema abrigou um lixão de 1971 a 2001. No dia 13 de abril, o Estado lembrou que o bairro tem condições similares às do Morro do Bumba, em Niterói, que deslizou por causa da chuva e do acúmulo do lixo. Em Niterói, 51 pessoas morreram. Em São Bernardo do Campo, centenas de famílias temem o mesmo destino.
A área de 700 mil metros quadrados nunca teve um sistema de condução dos efeitos colaterais do acúmulo de lixo sob a superfície: gases e chorume. O metano também fica preso no solo, aumentando a cada dia o risco de explosões. Já o líquido que resulta da decomposição dos resíduos vai direto para a Represa Billings, a 200 metros do local.
O projeto de construção da usina e do parque atende a medida judicial que condenou as prefeituras de São Bernardo e Diadema e os donos do terreno a remediar o problema ambiental. Parte das 200 famílias que moram no terreno será removida.
A prefeitura estima que sejam necessários R$ 20 milhões para fazer a canalização de drenagem dos gases e captação do chorume. Os trabalhos devem começar em setembro, com conclusão prevista para o fim de 2011.
O ambientalista Virgílio Alcides Farias, que defende a desativação do Lixão do Alvarenga, acredita que a criação da usina é uma boa notícia. "Está dentro do que se chama de ação sustentável. Mas é preciso manter um monitoramento contínuo e seguir as normas existentes de controle, principalmente na emissão de gases." A prefeitura afirma que o modelo de usina de São Bernardo segue as diretrizes estaduais para o tratamento térmico de resíduos sólidos.
LÁ TEM...
Áustria
A usina de Viena é uma das mais modernas da Europa. Tem capacidade para queimar 720 toneladas/dia.
Alemanha
Há duas unidades em Ingolstadt, que processam 600 toneladas/dia cada.
Inglaterra
Em Marchwood, a usina local incinera 560 toneladas/dia.
França
Uma das maiores da Europa fica em Paris, com capacidade para 1,6 mil toneladas/dia.
Estados Unidos
A maior do país está em Miami e chega a 4,2 mil toneladas/dia.
Energia
5 horas
é o período em que um computador poderia funcionar com a queima de um quilo de lixo
24 minutos
duraria um secador de cabelo ligado, segundo Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Justiça multa empresa em R$ 5 mi por trabalho escravo
Por Vannildo Mendes, Agencia Estado, Atualizado: 18/8/2010 11:00
Justiça multa empresa em R$ 5 mi por trabalho escravo
Por unanimidade, a primeira turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação à empresa Lima Araújo Agropecuária Ltda. no primeiro processo por trabalho análogo ao de escravos julgado na Justiça brasileira. A empresa foi condenada a pagar R$ 5 milhões de multa por ser flagrada em vistoria mantendo 180 trabalhadores em condições de escravidão nas fazendas Estrela de Alagoas e Estrela de Maceió, no sul do Pará. Os trabalhadores, entre eles mulheres e crianças, foram resgatados em 1998.
O relator do processo foi o ministro Vieira de Melo Filho, que citou as irregularidades constatadas pela equipe do Ministério do Trabalho. Os trabalhadores viviam em condições subumanas em alojamentos imundos, sem condições de higiene, sem alimentação adequada, sem salário e eram mantidos praticamente como reféns, sob a vigilância de seguranças armados, que os impediam de sair da propriedade.
Este é o primeiro processo já movido contra uma empresa por causa de trabalho escravo no Brasil. Segundo o TST, a prática, que atinge cerca de 40 mil trabalhadores, é bastante usual no meio rural brasileiro.
Justiça multa empresa em R$ 5 mi por trabalho escravo
Por unanimidade, a primeira turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) manteve a condenação à empresa Lima Araújo Agropecuária Ltda. no primeiro processo por trabalho análogo ao de escravos julgado na Justiça brasileira. A empresa foi condenada a pagar R$ 5 milhões de multa por ser flagrada em vistoria mantendo 180 trabalhadores em condições de escravidão nas fazendas Estrela de Alagoas e Estrela de Maceió, no sul do Pará. Os trabalhadores, entre eles mulheres e crianças, foram resgatados em 1998.
O relator do processo foi o ministro Vieira de Melo Filho, que citou as irregularidades constatadas pela equipe do Ministério do Trabalho. Os trabalhadores viviam em condições subumanas em alojamentos imundos, sem condições de higiene, sem alimentação adequada, sem salário e eram mantidos praticamente como reféns, sob a vigilância de seguranças armados, que os impediam de sair da propriedade.
Este é o primeiro processo já movido contra uma empresa por causa de trabalho escravo no Brasil. Segundo o TST, a prática, que atinge cerca de 40 mil trabalhadores, é bastante usual no meio rural brasileiro.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Sustentável 2010 debate valor da gestão responsável
Sustentabilidade Empresarial. Por: Mônica Nunes/ Débora Spitzcovsky - Planeta Sustentável 05/08/2010
Sustentável 2010 debate valor da gestão responsável
No dia 31 de agosto, o CEBDS promove, em Porto Alegre, o segundo ciclo de palestras sobre sustentabilidade e gestão responsável do Sustentável 2010. Nesta edição, o evento reúne especialistas para discutir a importância da comunicação e da educação no processo de implantação da sustentabilidade dentro das empresas. As inscrições são gratuitas.
Organizado pelo CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, o Sustentável 2010 promove, periodicamente, reuniões com especialistas para debater assuntos relacionados à sustentabilidade empresarial e à gestão responsável. O próximo evento da iniciativa, o 2º Ciclo de Encontros, acontecerá no dia 31 de agosto e abordará o tema “Comunicação e Educação para a Sustentabilidade”.
Com a presença da presidente do CEBDS, Marina Grossi, e da presidente da Câmara de Gestão Sustentável do Conselho, Ana Lúcia Suzuki, o evento pretende discutir a importância da formação de profissionais que tenham contato, desde a graduação, com os conceitos de sustentabilidade, além do papel da mídia nesse cenário de aprendizagem.
Para isso, o encontro contará com dois painéis. O primeiro, com a presença do secretário de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, Ervino Deon, focará na questão do ensino e debaterá, entre outras questões, a inserção do tema sustentabilidade na grade horária e na própria infraestrutura de todas as universidades do Brasil.
Já o segundo painel discutirá o tema “Comunicação e Sustentabilidade”, a partir da apresentação dos resultados de uma pesquisa inédita encomendada pelo próprio CEBDS sobre os conhecimentos da sociedade sobre sustentabilidade. Entre os assuntos previstos no debate estão:
– "A importância de comunicar a sustentabilidade de forma rentável, ambientalmente correta e socialmente justa";
– "A importância do comunicador em auxiliar a empresa a enxergar a sustentabilidade como valor"
– e "Como evitar o greenwashing".
O evento ainda prevê o lançamento do Guia de Comunicação e Sustentabilidade, da CTCOM – Câmara Temática de Comunicação e Educação do CEBDS. Os interessados em participar do encontro podem se inscrever, gratuitamente, no site do Conselho, que fará transmissão ao vivo do evento. As vagas presenciais são limitadas.
2º Ciclo de Encontros do Sustentável 2010
Data: 31 de agosto - Horário: das 9h às 17h - Local: Hotel Sheraton Porto Alegre
Endereço: Rua Olavo Barreto Viana, nº 18, Moinhos do Vento – Porto Alegre/RS
Mais informações no site do evento .
Sustentável 2010 debate valor da gestão responsável
No dia 31 de agosto, o CEBDS promove, em Porto Alegre, o segundo ciclo de palestras sobre sustentabilidade e gestão responsável do Sustentável 2010. Nesta edição, o evento reúne especialistas para discutir a importância da comunicação e da educação no processo de implantação da sustentabilidade dentro das empresas. As inscrições são gratuitas.
Organizado pelo CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, o Sustentável 2010 promove, periodicamente, reuniões com especialistas para debater assuntos relacionados à sustentabilidade empresarial e à gestão responsável. O próximo evento da iniciativa, o 2º Ciclo de Encontros, acontecerá no dia 31 de agosto e abordará o tema “Comunicação e Educação para a Sustentabilidade”.
Com a presença da presidente do CEBDS, Marina Grossi, e da presidente da Câmara de Gestão Sustentável do Conselho, Ana Lúcia Suzuki, o evento pretende discutir a importância da formação de profissionais que tenham contato, desde a graduação, com os conceitos de sustentabilidade, além do papel da mídia nesse cenário de aprendizagem.
Para isso, o encontro contará com dois painéis. O primeiro, com a presença do secretário de Educação do Estado do Rio Grande do Sul, Ervino Deon, focará na questão do ensino e debaterá, entre outras questões, a inserção do tema sustentabilidade na grade horária e na própria infraestrutura de todas as universidades do Brasil.
Já o segundo painel discutirá o tema “Comunicação e Sustentabilidade”, a partir da apresentação dos resultados de uma pesquisa inédita encomendada pelo próprio CEBDS sobre os conhecimentos da sociedade sobre sustentabilidade. Entre os assuntos previstos no debate estão:
– "A importância de comunicar a sustentabilidade de forma rentável, ambientalmente correta e socialmente justa";
– "A importância do comunicador em auxiliar a empresa a enxergar a sustentabilidade como valor"
– e "Como evitar o greenwashing".
O evento ainda prevê o lançamento do Guia de Comunicação e Sustentabilidade, da CTCOM – Câmara Temática de Comunicação e Educação do CEBDS. Os interessados em participar do encontro podem se inscrever, gratuitamente, no site do Conselho, que fará transmissão ao vivo do evento. As vagas presenciais são limitadas.
2º Ciclo de Encontros do Sustentável 2010
Data: 31 de agosto - Horário: das 9h às 17h - Local: Hotel Sheraton Porto Alegre
Endereço: Rua Olavo Barreto Viana, nº 18, Moinhos do Vento – Porto Alegre/RS
Mais informações no site do evento .
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Crônica de um fracasso ambiental
Reunião para pôr fim à caça de baleias termina sem acordo; só pressão da opinião pública pode resolver impasse
28 de julho de 2010 - 0h 00 - Karina Ninni - O Estado de S.Paulo
Sete meses depois da Conferência do Clima de Copenhague, outra reunião global para tratar de questões ambientais terminou em fracasso. No fim do mês passado, 74 dos 88 países membros da Comissão Internacional da Baleia (CIB) reuniram-se em Agadir, no Marrocos, para tentar pôr um fim à caça dos mamíferos. Apesar da ampla maioria, foram derrotados por um grupo encabeçado por Japão, Noruega e Islândia. Agora, embora o fracasso de Agadir tenha tido pouca repercussão, dez entre dez especialistas acreditam que só a opinião pública mundial pode forçar uma solução para o impasse: a hora é de pressão política e econômica internacional.
Veja também: Raio-x da baleia-jubarte
Calcula-se que todo ano sejam caçadas no planeta cerca de 1.900 baleias, de várias espécies. Os grandes responsáveis por isso são baleeiros japoneses, noruegueses e islandeses. O curioso é que a prática está banida por uma moratória instituída pela CIB em 1986. Os países que a mantêm se valem de um artifício: a caça para fins científicos é permitida pela Convenção Internacional para Regulação da Atividade Baleeira, de 1946.
Vários países já denunciaram o programa de "caça científica" do Japão como mera fachada para a atividade baleeira comercial. Apesar disso, os japoneses continuam a praticá-la, até mesmo no Santuário Baleeiro do Oceano Austral. Por conta disso, a Austrália acionou o país na Corte Internacional de Haia.
"Os países conservacionistas têm de fazer pressão política sobre o Japão. O país será sede da Convenção de Diversidade Biológica em outubro e se comprometeu com a biodiversidade global. O mundo tem de fazer o Japão perceber que não pode apoiar a biodiversidade de um lado e caçar baleias de outro", afirma Susan Lieberman, dirigente do Programação de Conservação de Baleias da fundação americana Pew Charitable Trusts. "Os japoneses podem estar legalmente aptos a fazer a caça científica, mas isso não significa que seja correto, ou realmente científico. Eles deveriam parar com todo tipo de caça, principalmente no Santuário Austral."
Além de manter seu programa "científico", o Japão é o principal destino dos produtos derivados das baleias caçadas pela Islândia. Em 2009, a Islândia exportou 372 toneladas de carne de baleia da espécie fin, um aumento substancial em relação às 80 toneladas de 2008, o que rendeu ao país US$ 6,4 milhões.
A parceria entre islandeses e japoneses, no entanto, corre risco. A Islândia está sendo pressionada pelo Parlamento Europeu a escolher entre a vaga que pleiteia na União Europeia e a manutenção da caça às baleias.
"A resolução do Parlamento deixou claro que a Islândia não poderá negociar o acesso à Comunidade Europeia apenas com base no compromisso de reduzir o número de baleias caçadas", diz Arni Finnsson, presidente da Associação para a Preservação da Natureza na Islândia. "Está claro que a caça às baleias e a entrada para a União Europeia não são temas conciliáveis."
Retrocesso. Como a CIB está longe do status do Parlamento Europeu e não tem poder de sanção, os países caçadores saíram de Agadir com o arpão e o queijo na mão. "Se a CIB pudesse punir, essas nações não fariam parte dela", diz Ana Paula Prates, gerente de Biodiversidade Aquática e Recursos Pesqueiros do Ministério do Meio Ambiente e integrante da delegação brasileira na CIB.
Ana afirma que, apesar do fracasso do encontro no Marrocos, o resultado poderia ter sido ainda pior. "Acabou sendo menos ruim não aceitar a proposta que estava na mesa. A ideia no início era manter a moratória, mas regularizar a caça nos três países que ainda insistem nela, estipulando cotas de acordo com as bases do Comitê Científico da CIB", explica Ana Paula. "Em contrapartida, queríamos que o Japão deixasse de caçar no Santuário e pretendíamos controlar suas cotas. Como eles não abriram mão, desistimos."
A estratégia da CIB diante do impasse foi adiar as discussões sobre a caça. Mas a comissão já começa a pagar um preço pela tolerância com a atividade. Países que sempre respeitaram a moratória, como a Coreia, manifestaram oficialmente em Agadir interesse na caça comercial.
Coincidência ou não, a Coreia registra altos índices de "caça acidental" ? alega que os seus pesqueiros acabam capturando baleias com redes usadas para pegar peixes. Aliás, o número de restaurantes que servem carne de baleia na Coreia já chega a cem, igual ao da Islândia
"O risco era esse: não conseguir um acordo e deixar para os outros países o recado de que tudo pode acontecer"", afirma Susan, citando China e Rússia como potenciais problemas. Os russos, por exemplo, já foram grandes caçadores. Abateram 4.046 jubartes num único ano, 1960, nas Ilhas Geórgias do Sul.
A reunião ocorreu em meio a denúncias de que delegados japoneses compraram votos de países-ilha no Pacífico e de nações africanas ? que já tinham sido feitas no documentário The Cove, vencedor do Oscar deste ano. Apesar de comentados nos bastidores, os rumores não foram discutidos no plenário.
"O Japão já admitiu que paga a outras nações para que participem de conferências", diz Susan. "Não há nada errado nisso, contanto que não seja uma forma de barganha. Mas alguns países acusados de receber dinheiro em troca de votos abriram processo de investigação interna."
28 de julho de 2010 - 0h 00 - Karina Ninni - O Estado de S.Paulo
Sete meses depois da Conferência do Clima de Copenhague, outra reunião global para tratar de questões ambientais terminou em fracasso. No fim do mês passado, 74 dos 88 países membros da Comissão Internacional da Baleia (CIB) reuniram-se em Agadir, no Marrocos, para tentar pôr um fim à caça dos mamíferos. Apesar da ampla maioria, foram derrotados por um grupo encabeçado por Japão, Noruega e Islândia. Agora, embora o fracasso de Agadir tenha tido pouca repercussão, dez entre dez especialistas acreditam que só a opinião pública mundial pode forçar uma solução para o impasse: a hora é de pressão política e econômica internacional.
Veja também: Raio-x da baleia-jubarte
Calcula-se que todo ano sejam caçadas no planeta cerca de 1.900 baleias, de várias espécies. Os grandes responsáveis por isso são baleeiros japoneses, noruegueses e islandeses. O curioso é que a prática está banida por uma moratória instituída pela CIB em 1986. Os países que a mantêm se valem de um artifício: a caça para fins científicos é permitida pela Convenção Internacional para Regulação da Atividade Baleeira, de 1946.
Vários países já denunciaram o programa de "caça científica" do Japão como mera fachada para a atividade baleeira comercial. Apesar disso, os japoneses continuam a praticá-la, até mesmo no Santuário Baleeiro do Oceano Austral. Por conta disso, a Austrália acionou o país na Corte Internacional de Haia.
"Os países conservacionistas têm de fazer pressão política sobre o Japão. O país será sede da Convenção de Diversidade Biológica em outubro e se comprometeu com a biodiversidade global. O mundo tem de fazer o Japão perceber que não pode apoiar a biodiversidade de um lado e caçar baleias de outro", afirma Susan Lieberman, dirigente do Programação de Conservação de Baleias da fundação americana Pew Charitable Trusts. "Os japoneses podem estar legalmente aptos a fazer a caça científica, mas isso não significa que seja correto, ou realmente científico. Eles deveriam parar com todo tipo de caça, principalmente no Santuário Austral."
Além de manter seu programa "científico", o Japão é o principal destino dos produtos derivados das baleias caçadas pela Islândia. Em 2009, a Islândia exportou 372 toneladas de carne de baleia da espécie fin, um aumento substancial em relação às 80 toneladas de 2008, o que rendeu ao país US$ 6,4 milhões.
A parceria entre islandeses e japoneses, no entanto, corre risco. A Islândia está sendo pressionada pelo Parlamento Europeu a escolher entre a vaga que pleiteia na União Europeia e a manutenção da caça às baleias.
"A resolução do Parlamento deixou claro que a Islândia não poderá negociar o acesso à Comunidade Europeia apenas com base no compromisso de reduzir o número de baleias caçadas", diz Arni Finnsson, presidente da Associação para a Preservação da Natureza na Islândia. "Está claro que a caça às baleias e a entrada para a União Europeia não são temas conciliáveis."
Retrocesso. Como a CIB está longe do status do Parlamento Europeu e não tem poder de sanção, os países caçadores saíram de Agadir com o arpão e o queijo na mão. "Se a CIB pudesse punir, essas nações não fariam parte dela", diz Ana Paula Prates, gerente de Biodiversidade Aquática e Recursos Pesqueiros do Ministério do Meio Ambiente e integrante da delegação brasileira na CIB.
Ana afirma que, apesar do fracasso do encontro no Marrocos, o resultado poderia ter sido ainda pior. "Acabou sendo menos ruim não aceitar a proposta que estava na mesa. A ideia no início era manter a moratória, mas regularizar a caça nos três países que ainda insistem nela, estipulando cotas de acordo com as bases do Comitê Científico da CIB", explica Ana Paula. "Em contrapartida, queríamos que o Japão deixasse de caçar no Santuário e pretendíamos controlar suas cotas. Como eles não abriram mão, desistimos."
A estratégia da CIB diante do impasse foi adiar as discussões sobre a caça. Mas a comissão já começa a pagar um preço pela tolerância com a atividade. Países que sempre respeitaram a moratória, como a Coreia, manifestaram oficialmente em Agadir interesse na caça comercial.
Coincidência ou não, a Coreia registra altos índices de "caça acidental" ? alega que os seus pesqueiros acabam capturando baleias com redes usadas para pegar peixes. Aliás, o número de restaurantes que servem carne de baleia na Coreia já chega a cem, igual ao da Islândia
"O risco era esse: não conseguir um acordo e deixar para os outros países o recado de que tudo pode acontecer"", afirma Susan, citando China e Rússia como potenciais problemas. Os russos, por exemplo, já foram grandes caçadores. Abateram 4.046 jubartes num único ano, 1960, nas Ilhas Geórgias do Sul.
A reunião ocorreu em meio a denúncias de que delegados japoneses compraram votos de países-ilha no Pacífico e de nações africanas ? que já tinham sido feitas no documentário The Cove, vencedor do Oscar deste ano. Apesar de comentados nos bastidores, os rumores não foram discutidos no plenário.
"O Japão já admitiu que paga a outras nações para que participem de conferências", diz Susan. "Não há nada errado nisso, contanto que não seja uma forma de barganha. Mas alguns países acusados de receber dinheiro em troca de votos abriram processo de investigação interna."
terça-feira, 27 de julho de 2010
Ética para as empresas que financiam o processo eleitoral
Por: Thays Prado - Planeta Sustentável - 26/07/2010
O Instituto Ethos e a Transparência Internacional lançaram a cartilha Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral - edição 2010. Ao contrário de outros países cujas eleições são, majoritariamente, financiadas por verbas públicas, no Brasil, o financiamento privado pode chegar a 70% de algumas campanhas. E é justamente nesse fato que se esconde a raiz da corrupção brasileira
Nas eleições estaduais e federais de 2006 e nas municipais de 2008, foram gastos, ao todo, cerca de R$4,6 bilhões. Esse é o valor declarado pelos candidatos e seus comitês financeiros. Do total, cerca de R$800 milhões são provenientes de recursos públicos, repassados pelo Fundo Partidário, o restante vem do setor privado brasileiro.
A realidade é bem diferente em países como Canadá, México, Estados Unidos, Chile e Argentina, em que o financiamento público é de, pelo menos, 25%. Há países em que essa porcentagem chega a 75%. Na Colômbia, desde 2005, é lei que os recursos públicos representem 80% do valor gasto nas campanhas eleitorais. Já no Brasil, as chamadas “campanhas viáveis” chegam a ter 70% de seus recursos provenientes de doações de empresas.
Segundo a cartilha "Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral - edição 2010”, lançada, na última sexta-feira, pelo Instituto Ethos, em parceria com a Transparência Internacional, das 1000 maiores empresas do país, 486 financiam candidatos a cargos públicos e a quantidade de dinheiro doado por cada uma delas varia de R$6 milhões a R$23 milhões. As cem últimas empresas desse grupo contribuem com quantias em torno de R$20 mil. Essa pode ser uma das raízes da corrupção no país.
“As empresas são as maiores responsáveis pelo quadro político que vai surgir, pois elas pagam as campanhas e tem um poder enorme sobre os candidatos eleitos", observa o presidente do Ethos, Oded Grajew. Isso quer dizer que, apesar de ilegal, muitas empresas doam recursos e recebem, em troca, benefícios de seus políticos, o que pode incluir desde privilégios em licitações públicas a resultados favoráveis na votação de certas leis. Atualmente, os setores que mais financiam as campanhas eleitorais são:
- Indústria da Construção Civil (25,4%);
- Bens de Consumo (12,4%);
- Siderurgia e Metalurgia (12,1%) e
- Bancos (8,3%).
“Ao financiar uma campanha política, a empresa precisa levar em conta o interesse público e não seu interesse particular", afirma Oded. Por isso, desde 2002, o Instituto Ethos e a Transparência Internacional lançam, a cada dois anos, alguns meses antes das eleições, a cartilha para orientar as empresas sobre como agir eticamente no processo eleitoral. O material traz uma série de princípios que contemplam não apenas o cumprimento da legislação do país, mas posturas que vão além da lei e compõem o amplo conceito de “responsabilidade social empresarial".
Qualquer um pode baixar o documento gratuitamente no site do Instituto Ethos.
O Instituto Ethos e a Transparência Internacional lançaram a cartilha Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral - edição 2010. Ao contrário de outros países cujas eleições são, majoritariamente, financiadas por verbas públicas, no Brasil, o financiamento privado pode chegar a 70% de algumas campanhas. E é justamente nesse fato que se esconde a raiz da corrupção brasileira
Nas eleições estaduais e federais de 2006 e nas municipais de 2008, foram gastos, ao todo, cerca de R$4,6 bilhões. Esse é o valor declarado pelos candidatos e seus comitês financeiros. Do total, cerca de R$800 milhões são provenientes de recursos públicos, repassados pelo Fundo Partidário, o restante vem do setor privado brasileiro.
A realidade é bem diferente em países como Canadá, México, Estados Unidos, Chile e Argentina, em que o financiamento público é de, pelo menos, 25%. Há países em que essa porcentagem chega a 75%. Na Colômbia, desde 2005, é lei que os recursos públicos representem 80% do valor gasto nas campanhas eleitorais. Já no Brasil, as chamadas “campanhas viáveis” chegam a ter 70% de seus recursos provenientes de doações de empresas.
Segundo a cartilha "Responsabilidade Social das Empresas no Processo Eleitoral - edição 2010”, lançada, na última sexta-feira, pelo Instituto Ethos, em parceria com a Transparência Internacional, das 1000 maiores empresas do país, 486 financiam candidatos a cargos públicos e a quantidade de dinheiro doado por cada uma delas varia de R$6 milhões a R$23 milhões. As cem últimas empresas desse grupo contribuem com quantias em torno de R$20 mil. Essa pode ser uma das raízes da corrupção no país.
“As empresas são as maiores responsáveis pelo quadro político que vai surgir, pois elas pagam as campanhas e tem um poder enorme sobre os candidatos eleitos", observa o presidente do Ethos, Oded Grajew. Isso quer dizer que, apesar de ilegal, muitas empresas doam recursos e recebem, em troca, benefícios de seus políticos, o que pode incluir desde privilégios em licitações públicas a resultados favoráveis na votação de certas leis. Atualmente, os setores que mais financiam as campanhas eleitorais são:
- Indústria da Construção Civil (25,4%);
- Bens de Consumo (12,4%);
- Siderurgia e Metalurgia (12,1%) e
- Bancos (8,3%).
“Ao financiar uma campanha política, a empresa precisa levar em conta o interesse público e não seu interesse particular", afirma Oded. Por isso, desde 2002, o Instituto Ethos e a Transparência Internacional lançam, a cada dois anos, alguns meses antes das eleições, a cartilha para orientar as empresas sobre como agir eticamente no processo eleitoral. O material traz uma série de princípios que contemplam não apenas o cumprimento da legislação do país, mas posturas que vão além da lei e compõem o amplo conceito de “responsabilidade social empresarial".
Qualquer um pode baixar o documento gratuitamente no site do Instituto Ethos.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Dicas Sustentáveis - Você também pode colaborar! É simples!
WALMART - Sustentabilidade : 4 de junho de 2010
Economize água! Ela é a fonte da vida:
• Diminua o tempo do banho;
• Fique alerta para os vazamentos;
• Lave a louça com a torneira fechada e só abra para o enxágue;
• Reutilize a água que sai da máquina de lavar para a descarga ou para lavar o carro e o quintal;
• Feche a torneira ao escovar os dentes e ao fazer a barba.
Poupe energia:
• Nem toda roupa precisa ser passada a ferro. Tecidos que não amassam muito podem ser guardados sem passar: basta pendurar as roupas bem esticadas no varal na hora de secar;
• Regule o chuveiro na posição verão (menos quente) e diminua seu tempo no banho;
• Desligue os aparelhos eletrônicos da tomada e a luz dos ambientes vazios;
• Use lâmpadas econômicas, você pode economizar de 60% até 80% no consumo;
• Deixe a luz apagada quando não estiver no ambiente;
• Evite abrir muitas vezes a porta da geladeira.
Manipule com consciência os resíduos:
• Separe o lixo: em uma lixeira, coloque os resíduos “secos” (vidro, plástico, alumínio, papel, etc.). Em outra, deposite o lixo “úmido” (restos de comida, papel higiênico, etc.);
• Utilize integralmente os alimentos – muitas cascas, folhas e talos de legumes, frutas e verduras são ricos em nutrientes, podendo ser usadas em sucos e vitaminas, por exemplo;
• Doe o que pode ser aproveitado por outra pessoa;
• Não jogue óleo na pia ou no ralo: um litro de óleo polui 20 mil litros de água. Descarte corretamente o seu óleo.
• Não jogue lixo no chão: ele entope bueiros, atraindo ratos, insetos e provocando enchentes.
Seja responsável em suas compras:
• Faça uma planilha com os seus ganhos (seu salário) e gastos (contas, alimentação, lazer, etc.) para controlá-los melhor. Não gaste mais do que você ganha!
• Opte por produtos que não viajam muito e que você consiga saber como são produzidos;
• Prefira mercadorias que são mais compactas, produtos com refil ou que têm poucas embalagens;
• Pense bem antes de comprar: você realmente precisa ter aquele celular caro de última geração?
• Jamais compre produtos piratas – cópias ilegais de DVDs, tênis ou artigos eletrônicos, por exemplo, é crime!
Mobilize!
• Convide amigos, vizinhos e sua família a se engajarem nas causas que você acredita. Forme uma corrente do bem!
• Dê o exemplo: seja um cidadão consciente, respeitando a sua cidade e o meio ambiente;
• Compartilhe o que você aprendeu;
• Vote com consciência: analise bem as propostas de todos os candidatos.
Economize água! Ela é a fonte da vida:
• Diminua o tempo do banho;
• Fique alerta para os vazamentos;
• Lave a louça com a torneira fechada e só abra para o enxágue;
• Reutilize a água que sai da máquina de lavar para a descarga ou para lavar o carro e o quintal;
• Feche a torneira ao escovar os dentes e ao fazer a barba.
Poupe energia:
• Nem toda roupa precisa ser passada a ferro. Tecidos que não amassam muito podem ser guardados sem passar: basta pendurar as roupas bem esticadas no varal na hora de secar;
• Regule o chuveiro na posição verão (menos quente) e diminua seu tempo no banho;
• Desligue os aparelhos eletrônicos da tomada e a luz dos ambientes vazios;
• Use lâmpadas econômicas, você pode economizar de 60% até 80% no consumo;
• Deixe a luz apagada quando não estiver no ambiente;
• Evite abrir muitas vezes a porta da geladeira.
Manipule com consciência os resíduos:
• Separe o lixo: em uma lixeira, coloque os resíduos “secos” (vidro, plástico, alumínio, papel, etc.). Em outra, deposite o lixo “úmido” (restos de comida, papel higiênico, etc.);
• Utilize integralmente os alimentos – muitas cascas, folhas e talos de legumes, frutas e verduras são ricos em nutrientes, podendo ser usadas em sucos e vitaminas, por exemplo;
• Doe o que pode ser aproveitado por outra pessoa;
• Não jogue óleo na pia ou no ralo: um litro de óleo polui 20 mil litros de água. Descarte corretamente o seu óleo.
• Não jogue lixo no chão: ele entope bueiros, atraindo ratos, insetos e provocando enchentes.
Seja responsável em suas compras:
• Faça uma planilha com os seus ganhos (seu salário) e gastos (contas, alimentação, lazer, etc.) para controlá-los melhor. Não gaste mais do que você ganha!
• Opte por produtos que não viajam muito e que você consiga saber como são produzidos;
• Prefira mercadorias que são mais compactas, produtos com refil ou que têm poucas embalagens;
• Pense bem antes de comprar: você realmente precisa ter aquele celular caro de última geração?
• Jamais compre produtos piratas – cópias ilegais de DVDs, tênis ou artigos eletrônicos, por exemplo, é crime!
Mobilize!
• Convide amigos, vizinhos e sua família a se engajarem nas causas que você acredita. Forme uma corrente do bem!
• Dê o exemplo: seja um cidadão consciente, respeitando a sua cidade e o meio ambiente;
• Compartilhe o que você aprendeu;
• Vote com consciência: analise bem as propostas de todos os candidatos.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Toscana como se deve
Desfrute. Descubra outra forma de visitar a região, mais autêntica e sem pressa. Alugue um quarto - há opções até em castelos - e curta as férias entre parreiras e oliveiras
08 de junho de 2010 3h 51 - Flavia Guerra / FLORENÇA - O Estado de S.Paulo
O relógio marca 5 da tarde na pequena Montespertoli, o sino badala. Da varanda do Castello di Montegufoni se avistam vinhedos que só terminam onde começam os olivais. Para apreciar melhor o pôr do sol da Toscana, enquanto a pasta cozinha até ficar al dente, goles demorados de um autêntico Chianti.
A cena é cinematográfica, mas não impossível. Realizar o sonho do castelo ou da casa própria na Toscana, ainda que por tempo limitado, não é apenas privilégio de ricos e famosos. Uma das mais belas paisagens da Itália, a região já foi cenário de filmes, romances e paixões - atualmente, também acrescenta algum interesse à novela das 8 da Globo.
Famosa por abrigar cidades como Florença, Siena e San Gimignano, se tornou destino mítico nos corações e mentes dos turistas. Espécie de Eldorado renascentista, até pouco tempo só possível de saborear em viagens rápidas e hospedagem em hotéis capazes de atender a uma das maiores demandas do mundo.
Depois que o conceito do agriturismo surgiu, no entanto, tornou-se possível não só viver como um autêntico toscano como também colher uvas, aprender a fabricar azeite, a cozinhar e a pintar como fazem os conterrâneos de Dante. De olho no turista apaixonado pelo céu da Toscana, proprietários de casas, vilas, palazzi e até castelos históricos da região passaram a abrir as portas a um visitante diferente: o slow tourist. Em bom português, aquele que sabe que um bom vinho pode demorar tanto tempo para ficar pronto quanto uma região leva para ser de fato apreciada. Em vez adotar a lógica do "Conheça 15 cidades em 10 dias" e de fotografar as atrações da janela do ônibus, cada vez mais turistas preferem alugar uma autêntica casa toscana e passar dez dias no melhor estilo dolce far niente.
E os brasileiros agora se unem a este exército de "toscanos desde pequenininhos". "Quando abrimos o castelo para o turismo, há cerca de dez anos, a maioria era de ingleses, americanos, alemães... Agora surgem brasileiros. E nós adoramos. São simpáticos, interessados e alegres", conta Guido Posarelli, atual padrone do mítico Castello di Montegufoni, um dos destinos mais belos e ainda inexplorados de uma região que parecia já ter sido vista de todos os ângulos.
Para chegar ao Castello, basta seguir as coordenadas. Localizada a cerca de 30 minutos de Florença, a construção data de 1100 e foi erguida pelos Ormanni, nobres citados por Dante na Divina Comédia. Ao longo dos séculos, mudou de "padroni" algumas vezes. Durante o século 15, foi reformado ao estilo arquitetônico do Palazzio Vecchio de Florença e ganhou a característica "torres quadradas" do Trecento. Ganhou vida nova sob a gestão de Guido, que recebe pessoalmente cada hóspede em companhia de sua noiva, Cristina. "Gosto de conversar, de saber quem são, de onde vêm. Todos os anos um grupo de alemães passa os verões fazendo cursos de pintura aqui. Andam pelo castelo e, no fim da tarde, reúnem-se para mostrar os trabalhos. Em que outro lugar isso acontece?", perguntava Guido enquanto conduzia esta repórter-hóspede ao Teatro.
Al dente. Teatro, aliás, já foi a sala de espetáculo do Castello, mas hoje é um charmoso quarto com mezanino e vista para os verdes campos de limões toscanos. "Se você quiser cozinhar, há um mini mercato perto. Você pode encomendar produtos por telefone e eles entregam aqui. Ou pode jantar no nosso restaurante avarandado." Surpreendente.
Surpresa mesmo é descobrir que o preço médio de um quarto no Montegufoni ou em outra das 600 propriedades da Posarelli Villas não é maior que em muitos quartos standards em hotéis dos rumorosos centros turísticos da Toscana - cerca de 200 por semana, por pessoa. "Mas por que eu nunca fiz isso antes?", você pode pensar. Posarelli explica: "As pessoas têm medo de "ficar por conta própria". Mas alugar uma casa na Toscana é como alugar uma casa na praia no Brasil. Não é difícil."
Difícil mesmo é decidir se é melhor jantar na "varanda própria" ou na do restaurante...
Saiba mais...
Origem do nome: Uma das maiores regiões da Itália em território e habitantes, a população da Toscana é de cerca de 3,6 milhões. Seu nome tem origem antiquíssima e deriva do modo como gregos e latinos chamavam a terra onde os etruscos, em italiano "etruschi", viviam. O termo Etruria se tornou Tuscia e, finalmente, Toscana .
Capital: Localizada no centro da Itália, a capital Florença possuiu hoje cerca de 370 mil habitantes e é considerada o berço do Renascimento. Teve sua época áurea, tanto econômica quanto culturalmente, durante o governo dos Médici, do início do século 15 a meados do 18 .
Clima: De geografia montanhosa, a Toscana tem clima variado, com média de 16 graus na costa e picos de 40 graus no interior, chegando a temperaturas negativas no inverno. Tais características fazem da região destino procurado tanto no verão quanto no inverno, quando a neve cobre suas planícies e montanhas de branco.
Filhos Ilustres: Além de Dante Alighieri, a Toscana é berço de Leonardo Da Vinci (Vinci), Nicolau Maquiavel (Florença), Michelangelo Buonarotti (Caprese Michelangelo), Donatello (Florença), Piero della Francesca (Sansepolcro), Caterina di Médici (nasceu em Florença, mas se tornou rainha da França), entre outros.
08 de junho de 2010 3h 51 - Flavia Guerra / FLORENÇA - O Estado de S.Paulo
O relógio marca 5 da tarde na pequena Montespertoli, o sino badala. Da varanda do Castello di Montegufoni se avistam vinhedos que só terminam onde começam os olivais. Para apreciar melhor o pôr do sol da Toscana, enquanto a pasta cozinha até ficar al dente, goles demorados de um autêntico Chianti.
A cena é cinematográfica, mas não impossível. Realizar o sonho do castelo ou da casa própria na Toscana, ainda que por tempo limitado, não é apenas privilégio de ricos e famosos. Uma das mais belas paisagens da Itália, a região já foi cenário de filmes, romances e paixões - atualmente, também acrescenta algum interesse à novela das 8 da Globo.
Famosa por abrigar cidades como Florença, Siena e San Gimignano, se tornou destino mítico nos corações e mentes dos turistas. Espécie de Eldorado renascentista, até pouco tempo só possível de saborear em viagens rápidas e hospedagem em hotéis capazes de atender a uma das maiores demandas do mundo.
Depois que o conceito do agriturismo surgiu, no entanto, tornou-se possível não só viver como um autêntico toscano como também colher uvas, aprender a fabricar azeite, a cozinhar e a pintar como fazem os conterrâneos de Dante. De olho no turista apaixonado pelo céu da Toscana, proprietários de casas, vilas, palazzi e até castelos históricos da região passaram a abrir as portas a um visitante diferente: o slow tourist. Em bom português, aquele que sabe que um bom vinho pode demorar tanto tempo para ficar pronto quanto uma região leva para ser de fato apreciada. Em vez adotar a lógica do "Conheça 15 cidades em 10 dias" e de fotografar as atrações da janela do ônibus, cada vez mais turistas preferem alugar uma autêntica casa toscana e passar dez dias no melhor estilo dolce far niente.
E os brasileiros agora se unem a este exército de "toscanos desde pequenininhos". "Quando abrimos o castelo para o turismo, há cerca de dez anos, a maioria era de ingleses, americanos, alemães... Agora surgem brasileiros. E nós adoramos. São simpáticos, interessados e alegres", conta Guido Posarelli, atual padrone do mítico Castello di Montegufoni, um dos destinos mais belos e ainda inexplorados de uma região que parecia já ter sido vista de todos os ângulos.
Para chegar ao Castello, basta seguir as coordenadas. Localizada a cerca de 30 minutos de Florença, a construção data de 1100 e foi erguida pelos Ormanni, nobres citados por Dante na Divina Comédia. Ao longo dos séculos, mudou de "padroni" algumas vezes. Durante o século 15, foi reformado ao estilo arquitetônico do Palazzio Vecchio de Florença e ganhou a característica "torres quadradas" do Trecento. Ganhou vida nova sob a gestão de Guido, que recebe pessoalmente cada hóspede em companhia de sua noiva, Cristina. "Gosto de conversar, de saber quem são, de onde vêm. Todos os anos um grupo de alemães passa os verões fazendo cursos de pintura aqui. Andam pelo castelo e, no fim da tarde, reúnem-se para mostrar os trabalhos. Em que outro lugar isso acontece?", perguntava Guido enquanto conduzia esta repórter-hóspede ao Teatro.
Al dente. Teatro, aliás, já foi a sala de espetáculo do Castello, mas hoje é um charmoso quarto com mezanino e vista para os verdes campos de limões toscanos. "Se você quiser cozinhar, há um mini mercato perto. Você pode encomendar produtos por telefone e eles entregam aqui. Ou pode jantar no nosso restaurante avarandado." Surpreendente.
Surpresa mesmo é descobrir que o preço médio de um quarto no Montegufoni ou em outra das 600 propriedades da Posarelli Villas não é maior que em muitos quartos standards em hotéis dos rumorosos centros turísticos da Toscana - cerca de 200 por semana, por pessoa. "Mas por que eu nunca fiz isso antes?", você pode pensar. Posarelli explica: "As pessoas têm medo de "ficar por conta própria". Mas alugar uma casa na Toscana é como alugar uma casa na praia no Brasil. Não é difícil."
Difícil mesmo é decidir se é melhor jantar na "varanda própria" ou na do restaurante...
Saiba mais...
Origem do nome: Uma das maiores regiões da Itália em território e habitantes, a população da Toscana é de cerca de 3,6 milhões. Seu nome tem origem antiquíssima e deriva do modo como gregos e latinos chamavam a terra onde os etruscos, em italiano "etruschi", viviam. O termo Etruria se tornou Tuscia e, finalmente, Toscana .
Capital: Localizada no centro da Itália, a capital Florença possuiu hoje cerca de 370 mil habitantes e é considerada o berço do Renascimento. Teve sua época áurea, tanto econômica quanto culturalmente, durante o governo dos Médici, do início do século 15 a meados do 18 .
Clima: De geografia montanhosa, a Toscana tem clima variado, com média de 16 graus na costa e picos de 40 graus no interior, chegando a temperaturas negativas no inverno. Tais características fazem da região destino procurado tanto no verão quanto no inverno, quando a neve cobre suas planícies e montanhas de branco.
Filhos Ilustres: Além de Dante Alighieri, a Toscana é berço de Leonardo Da Vinci (Vinci), Nicolau Maquiavel (Florença), Michelangelo Buonarotti (Caprese Michelangelo), Donatello (Florença), Piero della Francesca (Sansepolcro), Caterina di Médici (nasceu em Florença, mas se tornou rainha da França), entre outros.
Assinar:
Postagens (Atom)